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A memória enfraquece se você não ativá-la sempre

Data do post: 03/12/2018

Especialista em terceira idade diz que aprender coisas novas, fazer jogos que desafiem a memória e conviver com parentes ou amigos ajudam a manter a qualidade do cérebro.

 

Médica, mestre em saúde coletiva, doutora em biociências, com especializações em geriatria e gerontologia e, principalmente, uma especialista que dá enorme valor à prevenção de doenças e aos males da saúde. Esta é Tânia Guerreiro, carioca de 48 anos, que trabalha com pessoas da terceira idade em cursos na Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e na Oficina da Memória, em sua clínica, em Copacabana e na Tijuca, no Rio de Janeiro, além de ministrar workshops. Nessas atividades, ela define estratégias de reabilitação cognitiva e dirige uma equipe multidisciplinar  qualificada nas áreas de neurociências e envelhecimento, déficit cognitivo ou síndromes de memória. O alvo: bem-estar e harmonia. Coautora do livro “Memória e demência: (re)conhecimento e cuidado”, Tânia conta, nessa entrevista à simples- Mente, como manter um bom funcionamento da memória, mesmo após algumas perdas naturais causadas pelo passagem do tempo.

 

A partir de que idade nosso cérebro começa a sinalizar mudanças com relação à memória? E que mudanças são essas?

 

Algumas mudanças neurofisiológicas podem ser observadas a partir dos 40 anos e facilitam a ocorrência de falhas de memória. Ficamos mais predispostos à distração. Implicam a necessidade de maior tempo para fixação e resgate da informação da memória e tendem a nos tornar menos eficazes na realização de tarefas simultâneas.

Como podemos distinguir um esquecimento causado pelo envelhecimento natural de um que seja patológico?

Em muitos casos, faz-se necessária a avaliação de um profissional experiente para distinguir falhas de memória benignas associadas ao envelhecimento daquelas que expressam a presença de uma patologia subjacente. A recomendação de praxe é que no caso dessas falhas serem frequentes ou importantes, trazendo repercussões negativas no dia a dia, seja feita uma avaliação médica. Vale ressaltar que, além das temidas demências, existem inúmeras causas de prejuízo de memória que podem ser tratadas e até mesmo curadas, quando há um diagnóstico precoce.

 

O que devemos fazer para superar as mudanças provenientes da idade?

 

Adotar um estilo de vida saudável, trabalhando mente e corpo com equilíbrio. É reconhecida a associação positiva existente entre atividade física e saúde em geral, motivação, vivacidade mental e melhor desempenho de memória. Aprender um novo idioma, tocar um instrumento musical ou, ainda, jogar xadrez ou outros jogos são exemplos de atividades enriquecedoras.

 

Qual a importância dos relacionamentos sociais?

 

O ser humano necessita da vida em sociedade, do convívio com outras pessoas para manter sua saúde mental. Essa necessidade e o desejo de interação social variam de pessoa para pessoa. O convívio com pessoas da família, com amigos e conhecidos proporciona uma importante demanda das capacidades cognitivas do idoso e favorece a manutenção da eficácia da memória. A acomodação e a preguiça mental consistem em risco para pessoas de todas as idades, mas, sobretudo, para os idosos. Nosso cérebro trabalha num sistema de economia e tende a optar pelos processos já conhecidos e que exijam menos esforço. Assim, existe uma propensão a nos distanciarmos das situações novas com o avançar da idade e, como consequência, deixarmos de alimentar nosso cérebro com estímulos que o instiguem a funcionar plenamente.

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